Total de visualizações de página

sábado, 17 de março de 2012

Versos sem validade

Azar o meu ter cruzados os nossos polegares e indicadores numa dança, quando eu ainda era debutante.
Sorte a minha ter vivido isto tão cedo,
Quando ainda não sabia nem o que seria sentir "aquelas coisas"
Vocabulário inocente, assim como os gestos, os olhares e tal.
Tantas lombadas, desencontros e perdões.
Mas de nada vale a vida se você, ser humano infeliz,
Não testemunhar com a sua pulsação algo assim,
Mesmo que por vezes sujo, é puro, dá para removê-lo intacto
De uma solução heterogênea: óleo do rosto (suor), lixo e impurezas.
Dá pra camuflá-lo nos trocadilhos de Roma,
Mas não para escondê-lo.
É singular, meu velho. É singular até que se diga abraçado,
Com a vozinha baixa no pé do ouvido,
que se gosta e a outra responde como uma "confusão" da amizade.
Suspirem, porque é lindo.
Plural.
É tão lindo que minha perna têm aqueles tipos de arranhões
que deixam a marca branca, e os meus olhos vêem e acham graça, riem.
A mente guarda recordações que deixam a vista embaçada,raiva,
Mas nada, me ouçam, nada irá mudar.
E toda vez que eu escuto Raul falando "Eu nasci há 10 mil anos trás"
Eu digo: "Eu nasci a 1.800 dias atrás. "

quarta-feira, 7 de março de 2012

beLELÉU

Entrei na sala 02, sem par.
Comecei a assistir o filme e desde então, vejo o inferno como vizinho.
Passei a sentir as cenas,
A vivê-las capítulo após capítulo,
e eu daria a vida para ver o de amanhã, mesmo sem vivê-lo.
Eu o conheci, como disse o filme em cores preto e branco.
O beijei, como disse o filme em preto e branco.
Apaixonei-me, como disse o filme preto e ... branco.
Até que tive que deixá-lo ir já que ele tem Inaura
e não pode abandoná-la, como dizia o filme preto.
Hora do casamento, angústia. O Meu amor tava no beleléu, indo embora,
segurando uma mão mais sensual.
Mas, ainda em tempo, o prisioneiro veio até Lisbela.
E então tudo estava claro, como dizia o filme branco.
Amor é assim.
Amar é assado.
Amador é charmoso.
Amante é amassado.
Amozade é eterno, e mesmo assim esgota até a gota do fim.
O cinza.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Vinho destinto

Pai, que faço com o cálice maldito que quer me tomar antes que eu o beba?
Ele me embebeda antes mesmo que eu sinta o efeito do etanol circulando o corpo.
Me transforma na antítese da felicidade utópica e na tristeza de mendigo só, em segundos.
Que faço com o cálice? derramo?
E se mesmo assim ele voltar com a chuva pelo cheiro do ralo?
Pai, é de todo o coração que te peço, afasta de mim esse cálice,
Cálice da angústia, da loucura, do chumbo eterno, do choro infeliz.
Cálice da fala, Cale-se pelo calo que fez.
Se cale.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vapiti-Vupiti

A genética me deu o gênio forte dos genitores.
Basta o triscar da raiva pra os meus olhos virarem dois faróis.
É quase um "vapiti-vupiti" de ação e reação.
Fale, mas fale uma vez e se cale,
Porque a minha pouca fala num instante vira blá blá blá[...] sem fim.
E quando for pra ficar nesse cutuque,
Vá na velocidade da luz que eu te acho ali, aqui, acolá,
O som do meu batuque é truque e acaba já.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De vento em poupa

Eu poderia estar procurando, mas não.
Cavando, afastando a terra, debulhando o trigo, mas não.
Eu estava ali, parada, sem pretensão alguma.
Só havia um alto-falante na minha frente,
Mas pelo macro se via algo borrado atrás, o que seria?
Você lá:sinuca e música.
Longe de mim, perto só do meu olhar.
Mas e agora ... que sacolejo é esse?
Você me rouba os minutos do dia para pensar como foi ontem, nós ...
Show, multidão, som, álcool, areia, e o que me importa? Dois braços, apenas.
Dois braços, os seus.
Proteção divina, forte e pura.
Cheiro do cangaço, carinho de moço prendado e ombro dado aos blás.
Papo cabeça-coração, disse tudo de mim para você e o versa foi justo comigo.
Eu não quero contar os dias.
Não quero pensar como seria se tivéssemos contado até dez.
É estupidamente bom sentir.
Mãos dadas, rumo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Anunciação ...

Antes saudade, ante.
Desfaço.
Vinda de cabeça baixa.
Quem sabe depois ...
Tempo ao tempo,
Sem esperas.
Domingo pé de cachimbo grosso
E de fofoca de serventia,
Repúdio milagroso,
Poderoso e eficaz.
Desdigo, não sinto, já foi.
Sexta-feira pé de macumbeira fina,
Troca de olhares,
Novos ares.
Frio na barriga,
Quem sabe se pela moto,
Ou pelo ar de dentro,
Beijo inocente,
Abraço apertado,
Arrepio calado que guarda o fim.
Fim tirado da gaveta de ouro,
O que era de seu Zé,
Hoje é de seu fulano.
... Eu já escuto os teus sinais.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O guerreiro e a espada de plástico

Pinto e desboto o canto da parede em que guardo o segredo.
Antes fosse segredo de telefone sem fio.
Imagino eu, quando é que poderei olhar para mim sem um grau de covardia.
Não sustento a minha carga de guardar ou de contar, só prefiro não ser
Hostil com ele, com ela, com meu sono.
O que a justiça de Deus fizer... Eu caibo na espera e nada mais.