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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Vinho destinto

Pai, que faço com o cálice maldito que quer me tomar antes que eu o beba?
Ele me embebeda antes mesmo que eu sinta o efeito do etanol circulando o corpo.
Me transforma na antítese da felicidade utópica e na tristeza de mendigo só, em segundos.
Que faço com o cálice? derramo?
E se mesmo assim ele voltar com a chuva pelo cheiro do ralo?
Pai, é de todo o coração que te peço, afasta de mim esse cálice,
Cálice da angústia, da loucura, do chumbo eterno, do choro infeliz.
Cálice da fala, Cale-se pelo calo que fez.
Se cale.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Vapiti-Vupiti

A genética me deu o gênio forte dos genitores.
Basta o triscar da raiva pra os meus olhos virarem dois faróis.
É quase um "vapiti-vupiti" de ação e reação.
Fale, mas fale uma vez e se cale,
Porque a minha pouca fala num instante vira blá blá blá[...] sem fim.
E quando for pra ficar nesse cutuque,
Vá na velocidade da luz que eu te acho ali, aqui, acolá,
O som do meu batuque é truque e acaba já.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De vento em poupa

Eu poderia estar procurando, mas não.
Cavando, afastando a terra, debulhando o trigo, mas não.
Eu estava ali, parada, sem pretensão alguma.
Só havia um alto-falante na minha frente,
Mas pelo macro se via algo borrado atrás, o que seria?
Você lá:sinuca e música.
Longe de mim, perto só do meu olhar.
Mas e agora ... que sacolejo é esse?
Você me rouba os minutos do dia para pensar como foi ontem, nós ...
Show, multidão, som, álcool, areia, e o que me importa? Dois braços, apenas.
Dois braços, os seus.
Proteção divina, forte e pura.
Cheiro do cangaço, carinho de moço prendado e ombro dado aos blás.
Papo cabeça-coração, disse tudo de mim para você e o versa foi justo comigo.
Eu não quero contar os dias.
Não quero pensar como seria se tivéssemos contado até dez.
É estupidamente bom sentir.
Mãos dadas, rumo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Anunciação ...

Antes saudade, ante.
Desfaço.
Vinda de cabeça baixa.
Quem sabe depois ...
Tempo ao tempo,
Sem esperas.
Domingo pé de cachimbo grosso
E de fofoca de serventia,
Repúdio milagroso,
Poderoso e eficaz.
Desdigo, não sinto, já foi.
Sexta-feira pé de macumbeira fina,
Troca de olhares,
Novos ares.
Frio na barriga,
Quem sabe se pela moto,
Ou pelo ar de dentro,
Beijo inocente,
Abraço apertado,
Arrepio calado que guarda o fim.
Fim tirado da gaveta de ouro,
O que era de seu Zé,
Hoje é de seu fulano.
... Eu já escuto os teus sinais.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O guerreiro e a espada de plástico

Pinto e desboto o canto da parede em que guardo o segredo.
Antes fosse segredo de telefone sem fio.
Imagino eu, quando é que poderei olhar para mim sem um grau de covardia.
Não sustento a minha carga de guardar ou de contar, só prefiro não ser
Hostil com ele, com ela, com meu sono.
O que a justiça de Deus fizer... Eu caibo na espera e nada mais.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os prós da insônia

Quatro paredes lilás, um teto branco e eu. Tento parar de pensar em tudo que me ofusca: nas perdas, nos desencontros, nos desperdícios, nas passagens que nunca foram de ida. Deixo de lado esse peso da ausência, esse medo de deixar a existência e me apego ao que tenho, ao que sou e ao que ainda posso ser, nos quadros e nos abraços que geram boa nostalgia.
O Homem solta malícias ao vento e percebe que a criticidade, a qual se empenha a fazer, nunca lhe traz nada de bom, são só fofocas de gaveta, gaveta de maldade, e, a leveza de estar em par com Deus faz-o sentir a vitalidade de ser capaz de construir tudo o que “todos” apontam como improvável.
Olho pra cima, e diferente de outrora, vejo que o teto do meu quarto é só uma peneira pela qual devo passar. Esse teto será o meu chão.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Voto de confiança: estimulador; Crédito de confiança: excitante

" Seu amor me contagia, aliás, não só o amor, mas sua alegria, seu sorriso, suas palhaçadas, seus momentos serenos e tudo mais.
A grande bonequinha da turma cheia de dons... dom da voz, da arte, da criatividade, da alegria. Sou muito feliz por ter a certeza da sua presença em meu caminho.Quero sempre aplaudir vc por suas conquistas, independente de estar ou não na platéia."
É de caráter exibicionista sim, mas de fora pra fora, porque a potencialidade que um depoimento como esse causa em mim, ou de qualquer sorriso sincero que me mostre positividade ou uma criticidade inovadora, me enche de vontades, me farta a mesa de coisas boas, de combustível. Daqui eu só saio se for pra nascer de novo em 2 de Julho com você. Perdoe-me pelos estresses do cotidiano, basta saber que o que tenho guardado é muito mais substancial que uma careta não concordando com algumas de suas opiniões. No mínimo, sou louca por você. No máximo, eu te suporto porque convivo contigo. É assim que a gente vive: inversamente proporcionais.